Um dos meus eu quis escrever sobre ele mesmo e a convergência desses
vários eu em mim. Difícil de assimilar mas tentarei usar uma linguagem
clara; Não é que eu tenha um distúrbio qualquer de múltiplas
personalidades, muito pelo contrário acredito que é puramente humano
conhecermo-nos no que toca a saber que existe uma (uma? Duas, três?)
parte de nós capaz de fazer tal coisa e desejar tal coisa, e ser também
capaz de fazer e desejar o oposto - quase como um alter-ego.
Tantas vezes dei por mim (daremos por nós?) a agir como a pessoa que sou
e, de um momento para o outro, vejo as minhas atitudes como reflexões
do que mais poderia odiar em alguém, ou ajo como nunca pensaria agir.
Faço o que nunca seria capaz de fazer. Penso o que nunca me atreveria a
pensar.
Também entra aqui o famoso 'Uma parte de mim querer fazer isto mas
uma outra parte não.', 'Gostava mesmo de fazer isto mas algo me diz para
não o fazer.' ou 'Estava prestes a fazer isto, mas controlei-me.'
O humano em conflito consigo mesmo, a indecisão, prefiro acreditar que
tudo isto é consequência de uma acumulação de desejos ou ideias
pendentes ou íntimas que nos agradaram, mas que acabámos por rejeitar.
No fundo, acredito que um alter-ego não é nada mais, nada menos do
que próprias demonstrações de cansaço, cansaço deste controlo extremo a
que expomos a vida. Já é hábito. Este alter-ego, esta outra
personalidade é uma imagem idealizada nossa, capaz de realizar os nossos
profundos desejos e interesses, coisa de que nos deprivamos na
consciência de um "eu normal".
Isto acontece porque toda a tua vida deprivaste-te disto e daquilo,
porque colocaste valores morais ou éticos ou desejos de outrem acima da
tua própria consciência. Não te vês capaz de arriscar, então procuras a
calmia e o controlo na vida. Mas o fruto proibido é sempre o mais
apetecido. Então não tardará muito para que esses múltiplos indivíduos,
consciências instáveis, se rebelem uma vez mais, cada um para seu lado,
mas que no fundo, acabam por convergir numa só pessoa.
suspiros do meu antigo blog, theblueskynoise, 2013
Todos as publicações e opiniões são exclusivamente minhas excepto se indicado o contrário.
Showing posts with label theblueskynoise. Show all posts
Showing posts with label theblueskynoise. Show all posts
Sunday, 12 January 2020
III Falar
Quando ficamos alguns momentos sem abrir a boca, sentes que fica um silêncio constrangedor?
Nem por isso. Porque haveria de ficar? Por muito que goste de te ouvir falar, quando não há nada para dizer, valorizo ainda mais o silêncio!
Porque se não estivesse em silêncio, estaria a tagarelar. Porque também nunca tenho muito que falar.
Sim, a maioria das vezes que abro a boca é para tagarelar. Não falar,
tagarelar! Coisa mais ingenuamente irritante.
As conversas mais
superficiais que não interessam a ninguém. A tagarelar as coisas mais
simples, simpáticas e saudáveis, hábito este que qualquer ser humano já
adoptou. A inocente conversa de ocasião! Sem propósito e em alguns casos
sem nexo. Aquelas conversas que felizmente podemos ter sem puxar muito
pelo cérebro e ninguém nos julga por isso! Tagarelar. Coisas tão fúteis
ou idiotas que te fazem arrepender de ter aberto a boca na próxima vez
que pensares nisso. Isso é que é tagarelice!
Por isso acho uma estupidez achar constrangedor o silêncio. Traz uma grande harmonia...
Se não há nada que falar, cala-te. Mas se achas o silêncio incomodativo, sempre podes tagarelar. Não só ajuda a passar o tempo como a exercitar a língua...
Se não há nada que falar, cala-te. Mas se achas o silêncio incomodativo, sempre podes tagarelar. Não só ajuda a passar o tempo como a exercitar a língua...
E ainda bem que me falaste nisto.
I
Costumava preocupar-me demasiado com o futuro
Agora preocupo-me em preocupar-me
Com as pessoas que amo
E pelo que luto no presente.
Agora preocupo-me em preocupar-me
Com as pessoas que amo
E pelo que luto no presente.
Porque prefiro viver na mais nítida das paisagens,
A observar a beleza e o suspense da tela branca do amanhã
Do que viver num incompleto esboço
De uma árvore morta, à espera que lhe pintem umas folhas ou flores...
A observar a beleza e o suspense da tela branca do amanhã
Do que viver num incompleto esboço
De uma árvore morta, à espera que lhe pintem umas folhas ou flores...
II
Após um ano, aqui estou eu. Lembrei-me que isto existia.
E pelos vistos continuo na mesma crise existencial em que estava na última vez que postei alguma coisa, ou pior.
Um excerto do que escrevi há dias no meu pseudo-diário/caderno-sem-nexo:
Quanto mais velha estou, cada vez compreendo mais que afinal nada compreendia da vida.
É algo quase palpável, e um sentimento relativamente recente, por acaso.
Finalmente consigo compreender todas estas "fases", como a minha mãe lhes chamava, por que passei, e compreender e identificar-me com os que por elas estão a passar agora. Consigo compreender o quão parvas, fúteis e inúteis foram algumas das minhas atitudes e acções. Ridículas e dispensáveis, que raio de mentalidade tinha eu? - Tal e qual como quando levamos as mãos à testa por nos lembrarmos de momentos embaraçosos - E eu que pensava que tinha cabecinha na altura.
Tanta coisa que está a ganhar sentido.
E pelos vistos continuo na mesma crise existencial em que estava na última vez que postei alguma coisa, ou pior.
Um excerto do que escrevi há dias no meu pseudo-diário/caderno-sem-nexo:
Quanto mais velha estou, cada vez compreendo mais que afinal nada compreendia da vida.
É algo quase palpável, e um sentimento relativamente recente, por acaso.
Finalmente consigo compreender todas estas "fases", como a minha mãe lhes chamava, por que passei, e compreender e identificar-me com os que por elas estão a passar agora. Consigo compreender o quão parvas, fúteis e inúteis foram algumas das minhas atitudes e acções. Ridículas e dispensáveis, que raio de mentalidade tinha eu? - Tal e qual como quando levamos as mãos à testa por nos lembrarmos de momentos embaraçosos - E eu que pensava que tinha cabecinha na altura.
Tanta coisa que está a ganhar sentido.
Fuga
Uma nova etapa a recomeçar, provavelmente será inevitável cortar
relações com todos os meus círculos e recomeçar do zero, como recomeço
sempre, tornou-se um ciclo vicioso.
Fugir de tudo o que construí, como fujo sempre. Arranjar novos vícios, novas tristezas, novas ambições, novos amores, apenas para me fartar novamente, relembrar novamente, e recomeçar novamente.
suspiros do meu antigo blog, theblueskynoise, 2013




Fugir de tudo o que construí, como fujo sempre. Arranjar novos vícios, novas tristezas, novas ambições, novos amores, apenas para me fartar novamente, relembrar novamente, e recomeçar novamente.
suspiros do meu antigo blog, theblueskynoise, 2013
Senhor Caos
Alguns de nós gostam de atrair o Caos, gostam tanto que querem-no só
para si. Não partilharão com mais ninguém. Quando a vida parece feliz e
fácil demais, não tardará muito para que o voltemos a chamar, melhor
amigo pontual, para que faça as honras de a arruinar, de a virar
completamente às avessas porque já sentíamos saudades das dores
psicológicas de estômago, as nostálgicas insónias e de dormir com rolos
de papel higiénico na cabeceira. Vontade de partir o coração de alguém,
vontade de desiludir a família, vontade de enojar estranhos.
Eu pessoalmente adoro, adoro especialmente massacrar-me durante a noite, naqueles minutos antes de adormecer, que se transformam em horas e lágrimas. Relembrar-me da última vez que chamei o nosso amigo para maltratar alguém ou algo do género, simplesmente adoro.
Mas o mais divertido disto tudo, com certeza é o histórico de atitudes, hábitos e teimas que ganhamos. Que se vão aglomerando na nossa personalidade, a um ponto que finalmente (e felizmente!) já não conseguimos ter lá muitos momentos felizes na vida, porque assim é que se está bem, que eu cá não gosto de facilidades, sempre adorei desafios.
(2013)




Eu pessoalmente adoro, adoro especialmente massacrar-me durante a noite, naqueles minutos antes de adormecer, que se transformam em horas e lágrimas. Relembrar-me da última vez que chamei o nosso amigo para maltratar alguém ou algo do género, simplesmente adoro.
Mas o mais divertido disto tudo, com certeza é o histórico de atitudes, hábitos e teimas que ganhamos. Que se vão aglomerando na nossa personalidade, a um ponto que finalmente (e felizmente!) já não conseguimos ter lá muitos momentos felizes na vida, porque assim é que se está bem, que eu cá não gosto de facilidades, sempre adorei desafios.
(2013)
Ela
Desumana capacidade e desapego emocional e percepção de outrem.
Uma ridícula falta de ética e consideração.
Sicofanta e manipuladora.
Ambição desmedida e narcisismo.
A única coisa que a deixa mais infeliz do que perder todas as pessoas que lhe são queridas é falhar e não ter o que quer.
Ou é nisto que ela quer que eu acredite.
suspiros do meu antigo blog, theblueskynoise, 2015
Uma ridícula falta de ética e consideração.
Sicofanta e manipuladora.
Ambição desmedida e narcisismo.
A única coisa que a deixa mais infeliz do que perder todas as pessoas que lhe são queridas é falhar e não ter o que quer.
Ou é nisto que ela quer que eu acredite.
suspiros do meu antigo blog, theblueskynoise, 2015
IV - A ode a mim.
Posso?
Mostrar-te o quão efémera a tua vida não é
Mostrar-te as consequências que estão anos longe.
Vem
Deixa-me abraçar-te
Nunca ninguém te quis como tu
Então não existe outro amor.
Sai
Até de ti te fartas
Não consigo mais viver aqui dentro
Preciso de sair daqui
Mas a consciência é imovível.
Vem
Podes voltar
Vamos arranjar outra maneira
Arranjar maneira de querer arranjar maneira
Perdi vista do horizonte
Perdi vista de mim
Quero voltar
Quero tanto
Mostrar-te o quão efémera a tua vida não é
Mostrar-te as consequências que estão anos longe.
Vem
Deixa-me abraçar-te
Nunca ninguém te quis como tu
Então não existe outro amor.
Sai
Até de ti te fartas
Não consigo mais viver aqui dentro
Preciso de sair daqui
Mas a consciência é imovível.
Vem
Podes voltar
Vamos arranjar outra maneira
Arranjar maneira de querer arranjar maneira
Perdi vista do horizonte
Perdi vista de mim
Quero voltar
Quero tanto
when you’re genuinely better off alone,
being social
having lots of influence
being free
having no emotional compromises
only working on yourself,
than breaking hearts
regretting your harsh words
regretting your lack of affection
regretting who you truly are and what you cannot possibly ever offer to others
maybe I wasn’t really made to date
my heart is supposed to belong the the whole world,
to cherish the collective unconscious and conscious
new winds are coming.









being social
having lots of influence
being free
having no emotional compromises
only working on yourself,
than breaking hearts
regretting your harsh words
regretting your lack of affection
regretting who you truly are and what you cannot possibly ever offer to others
maybe I wasn’t really made to date
my heart is supposed to belong the the whole world,
to cherish the collective unconscious and conscious
new winds are coming.
Não existe nada além da cortina
Ensina-me o que é o apego
Ensina-me o que é a traição
Porque sinto falta de um tanto de emoção.
Se a vida é sofrimento então não faço mal em apenas sonha-la. Observar o mundo a correr em vez de correr com ele.
Porquê buscar prazeres efémeros se tenho esta imaginação intemporal?
Porquê comprometer com dualidades quando os teus olhos já viram a singularidade excepcional do mundo?
Se me entretenho com as superficialidades sinto-me ignorante. Se apostar nas profundezas sinto-me cada vez mais distante e anormal.
As horas passam e o meu envolvimento com a realidade é cada vez menos apetecido. É como se a vida tivesse ganho novas sombras de absurdo e o seu conceito como consciência colectiva está fora de moda, e de sentido.
Quando é que esta doença solipsista se tornou tão confortável?
suspiros do meu antigo blog, theblueskynoise, 2013.




Ensina-me o que é a traição
Porque sinto falta de um tanto de emoção.
Se a vida é sofrimento então não faço mal em apenas sonha-la. Observar o mundo a correr em vez de correr com ele.
Porquê buscar prazeres efémeros se tenho esta imaginação intemporal?
Porquê comprometer com dualidades quando os teus olhos já viram a singularidade excepcional do mundo?
Se me entretenho com as superficialidades sinto-me ignorante. Se apostar nas profundezas sinto-me cada vez mais distante e anormal.
As horas passam e o meu envolvimento com a realidade é cada vez menos apetecido. É como se a vida tivesse ganho novas sombras de absurdo e o seu conceito como consciência colectiva está fora de moda, e de sentido.
Quando é que esta doença solipsista se tornou tão confortável?
suspiros do meu antigo blog, theblueskynoise, 2013.
Subscribe to:
Posts (Atom)